Histórias da Mãe

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Terça-feira, 05 / 06 / 12

A Inês de Cristal visita o Museu de Arqueologia!


 

 

 

Hoje é um dia especial, pois na escola, a professora Sílvia organizou uma visita de estudo a um Museu situado numa cidade a apenas alguns quilómetros de distância da escola!

 

Todos os meninos estão entusiasmados e Inês de Cristal não é exceção.

 

Feliz por ver a sua filha tão empolgada com este dia que prometia ser de aventura, a mãe de Inês veste-lhe um vestido magnífico e prepara-lhe um lanche bem saudável para a visita.

 

Chegadas à escola, Inês repara num grande autocarro que já aguardava pelos meninos e de dentro saiu o motorista, um senhor de meia-idade que simpaticamente pegou na menina e a levou para dentro, arrumando a sua cadeira de rodas no porta bagagens.

 

- Olá meninos…estão entusiasmados? – Perguntou a professora Sílvia através do microfone do autocarro!

 

- SIM!!!! – Disseram todos os meninos em uníssono enquanto terminavam de ocupar os seus lugares!

 

Depressa a Iara se sentou ao lado da Inês, colocou o cinto de segurança mas de tão deslumbrada que estava não conseguia parar sossegada no banco.

 

- Então Inês, estás preparada para a grande aventura de hoje? – Perguntou a Iara com um grande sorriso!

 

- Sim Iara, estou muito curiosa pois nunca visitei um Museu. Que tipos de coisas se vêm neste Museu? Sabes? – Questionou a Inês.

 

- Olha, a minha mãe explicou-me que vamos ver achados arqueológicos! É uma palavra muito difícil mas que quer dizer que são coisas que os nossos antepassados deixaram e que foram descobertos por uns senhores arqueólogos que são aqueles que escavam à procura destes achados para que nós hoje possamos conhecer a nossa história! – Compreendes?

 

A Inês estava bastante confusa pois não percebia o porquê de os seus antepassados deixarem as coisas enterradas! Isso parecia-lhe muito estranho! Não teria sido mais fácil se eles tivessem feito como os seus avós que guardam as coisas mais antigas no sótão?

 

- Oh Iara, mas porque é que eles enterraram as coisas? São uma espécie de tesouro, é? – Perguntou a Inês.

 

- Inês, eu não sei muito bem, mas acho que sim! Quando chegarmos ao Museu penso que vamos compreender melhor! – Respondeu a Iara que também não compreendia muito bem como estas coisas antigas tinham aparecido!

 

Quando finalmente chegaram ao Museu, o Sr. Aurélio, o motorista que vinha a ouvir a conversa das duas meninas, saiu, montou a cadeira de rodas da Inês e regressou para pegar na menina.

 

- Olhem meninas…aproveitem bem este dia! Sei que vai ser espetacular pois a História dos nossos antepassados é muito importante para que consigamos perceber a nossa própria evolução e darmos o devido valor àquilo que hoje temos! – Explicou o Sr. Aurélio enquanto colocava Inês na sua cadeira.

 

As meninas esperaram pela professora Sílvia e pelos seus colegas que rapidamente se organizaram numa fila à porta do Museu.

 

- Meninos…este é o Museu de Arqueologia! Para aqueles que nunca visitaram um Museu, este é um espaço que procura preservar a memória das pessoas e dos lugares, um espaço que guarda as histórias mais interessantes e que, como poderão ver…nos faz viajar no tempo! – Começou por explicar a professora Sílvia a toda a turma.

 

- Agora, peço-vos que entrem calmamente, não mexam em nada e oiçam com atenção o que o senhor responsável por este espaço vos vai explicar para que aproveitem bem a vossa visita! – Advertiu a professora .

 

Todos os meninos foram subindo os dois degraus que davam acesso à porta de entrada do Museu, à exceção da Inês que não conseguia ultrapassar esta barreira.

 

A Inês ficou triste a olhar para a porta do Museu, onde já se encontrava um Senhor alto, de cabelo grisalho, com óculos redondos como só os estudiosos usam.

 

O Sr. Alberto, responsável pelo Museu apercebeu-se da barreira que o seu Museu tinha e desceu as escadas para ajudar a levantar a cadeira da Inês para que a menina pudesse entrar e desfrutar desta visita.

 

Chegados ao espaço do Museu de Arqueologia, Iara, que não largava a mão da sua amiga Inês sussurrou-lhe ao ouvido: - Repara, há prateleiras cheias de coisas, isto serviria para quê?

 

A Inês vislumbrava os corredores imensos do Museu e apercebeu-se que para aceder às salas precisaria de ultrapassar mais uma barreira. É que os diferentes espaços estavam um degrau mais acima que os corredores e esse seria um obstáculo difícil de ultrapassar pois não havia qualquer rampa que pudesse ajudar a menina a vislumbrar as diferentes peças arqueológicas.

 

- Iara, eu não vou conseguir visitar o Museu! Olha…existem muitos degraus!

 

A Inês sentiu-se muito confusa e ansiosa ao mesmo tempo…como poderia ela conhecer o Museu se não conseguia ver as coisas que ele guardava?

 

A Iara permaneceu ao lado da sua amiga. Se ela não conseguisse ver o Museu a Iara também não queria conhecer um lugar que não podia ser visitado por todas as pessoas!

 

Assim que a turma começou a visita, começaram também os problemas com as acessibilidades e rapidamente todos chegaram à conclusão que aquele Museu não estava preparado para receber pessoas especiais já que não existiam rampas, os móveis que expunham as peças estavam muito altos e ninguém numa cadeira de rodas conseguia ver os objetos que se encontravam nas prateleiras mais altas.

 

Além disso, as legendas estavam colocadas ao lado de cada peça e como tal, mesmo quando a Inês se afastava para conseguir ver alguma coisa, não conseguia ler o significado e a história de cada objeto.

 

Na turma da Inês também estava uma menina, a Matilde, que usava óculos e tinha algumas dificuldades de visão e ela também estava a ter problemas com o fato das legendas dos objetos estarem escritas com letras tão pequeninas!

 

A visita, mesmo com todos os esforços do Sr. Alberto em explicar tudo aos meninos não estava a correr nada bem! Inês e toda a sua turma estavam muito desiludidos com este Museu que, tantas expectativas, tinha criado em cada um!

 

O Sr.Alberto, sentiu-se muito incomodado com o assunto e apercebeu-se que o Museu do qual tanto se orgulhava, afinal não podia ser apreciado por todas as pessoas. Alberto estava envergonhado!

 

- Inês, peço-te imensa desculpa! Nunca me tinha apercebido da necessidade de garantirmos que o nosso Museu de Arqueologia fosse 100% acessível. Até hoje! Também a toda a turma eu peço desculpa, estou muito chateado com esta situação! – Disse Alberto visivelmente transtornado com o facto de existirem meninos que não puderam desfrutar do seu Museu e conhecer os tesouros que ele guarda!

 

A professora Sílvia estava igualmente triste com a visita até que Iara a puxou para o lado e lhe sussurrou ao ouvido:

 

 - Professora nós poderíamos ajudar o Sr. Alberto a tornar o Museu de Arqueologia um espaço de todos e para todos!

 

A professora estava confusa…como poderiam eles ajudar?

 

Iara continuou a explicar: - Professora, se todos mostrarmos as nossas dificuldades ao Sr. Alberto e lhe fizermos uma lista do que ele precisa de mudar no Museu, ele pode transformar este espaço!

 

Foi nesse momento que a professora percebeu o que a Iara lhe estava a tentar explicar e dirigiu-se ao Sr. Alberto.

 

- Sr. Alberto, se nos unirmos e lhe mostrarmos quais as barreiras que precisam de ser melhoradas, promete que vai trabalhar no assunto para que possamos voltar e desfrutar verdadeiramente deste espaço?

 

- Mas é claro que sim! Se vocês me ajudarem a perceber o que está mal, prometo do fundo do meu coração que quando regressarem ao Museu de Arqueologia ele vai estar preparado para vos receber!

 

Nesse instante todos os meninos, incluindo a Inês de Cristal, se separaram e cada um foi chamando o Sr. Alberto que apontava num caderninho tudo o que lhe iam dizendo.

 

- Sr. Alberto…repare, a minha avó anda de bengala e vê muito mal! Se não colocar uma fita de cor no chão pela qual ela se possa guiar para saber o caminho, não poderá fazer a visita sozinha! – gritou o José Pedro!

 

- Sr. Alberto…olhe, as legendas das peças estão feitas com uma letra demasiado pequena! Eu não consigo ler bem a história de cada objeto! – Lembrou a Matilde!

 

- Sr. Alberto, chegue aqui. A casa de banho é grande mas não tem barras que ajudem a Inês a sair da cadeira de rodas para fazer xixi! Além disso, se eu vier aqui com os meus pais e o meu irmão bebé e ele precisar de mudar a fralda, a minha mãe não tem sitio onde o deitar e terá que se ir embora! Não poderia mandar pôr aqui na parede uma daquelas coisitas que se abrem e ficam tipo estrado onde se deitam os bebés para mudar a fralda? - reparou a Iara!

 

- Sr. Alberto! – Gritava a Mariana - Tenho um tio que é cego! Porque é que não pede a alguém que traduza as legendas para braile! Sabe o que é? – o Sr. Alberto nem teve tempo de responder, e logo a Mariana continuou - É um tipo de escrita que está em relevo para permitir às pessoas cegas, através do simples toque, ler o que se pretende explicar! O sistema Braille é um processo com uma base de 64 símbolos em relevo e que é utilizado por pessoas cegas ou com baixa visão e a leitura é feita da esquerda para a direita, ao toque de uma ou duas mãos ao mesmo tempo! O meu tio lê com as duas mãos e é muito rápido!

 

Alberto estava pasmado com tanta e tão preciosa informação que os meninos lhe estavam a transmitir e continuava a apontar tudo bem depressa!

 

- Sr. Alberto tem que arranjar uma forma de fazer rampas para estes degraus! Até nem são muito altos, mas a minha cadeira de rodas não os consegue subir! – Exclamava a Inês de Cristal, agora mais entusiasmada pois percebeu que o responsável pelo Museu queria de facto melhorar as condições de visita ao mesmo!

 

- Sr. Alberto! Tem que mandar baixar as prateleiras destes móveis! – Retorquiu a Iara – Nem a Inês na sua cadeira de rodas, nem os meninos mais pequenos conseguem ver todos os objetos que estão neste Museu!

 

- Sr. Alberto, o Museu é tão grande que deveria ter uns banquinhos onde as pessoas se possam sentar para descansar e apreciar os objetos durante um bocado. – Referiu o Rodrigo enquanto passava de sala para sala à procura de mais sugestões que pudessem melhorar aquele espaço!

 

O que começava por ser uma visita de estudo muito complicada tornou-se rapidamente numa espécie de caça ao tesouro das acessibilidades e todos os meninos queriam dar o seu contributo!

 

A professora Sílvia estava muito contente por perceber o quanto os seus meninos percebiam acerca desta temática!

Quando terminou a visita, o Sr. Alberto estava cansado mas cheio de vontade de pôr em prática todas as ideias que os meninos lhe tinham sugerido!

 

- Muito obrigado a todos – agradeceu com um enorme sorriso! – Hoje fui eu que aprendi muita coisa. Prometo que em breve, todas as vossas sugestões se tornarão reais aqui no Museu de Arqueologia e desde já fica o convite feito para a próxima visita 100% acessível!

 

Depois de se despedirem, ficou combinado que o Sr. Alberto telefonaria à professora Sílvia quando tudo estivesse pronto!

Passaram-se algumas semanas desde a visita e os meninos questionavam-se sobre se as suas sugestões tinham sido postas em prática pelo Sr. Alberto, até que um dia o telefone tocou!

 

- Meninos…- Disse a professora Sílvia – Amanhã vão regressar ao Museu de Arqueologia! O Sr. Alberto ligou-me e disse-me que tem muitas surpresas preparadas para nós!

 

A Inês de Cristal estava muito curiosa para saber se já poderia visitar o Museu e à hora do jantar contou aos seus pais tudo os que os seus colegas tinham sugerido ao responsável do Museu e foi-se deitar desejosa pelo nascer da manhã do dia seguinte!

 

De manhã, todos os meninos estavam bastante entusiasmados e rapidamente partiram de novo no autocarro.

Seria desta vez que todos poderiam conhecer o Museu de Arqueologia?

 

Quando chegaram logo repararam que à entrada deste espaço estava construída uma pequena rampa que desde logo iria permitir à Inês de Cristal subir os degraus do Museu sem qualquer ajuda! E claro…a Inês foi a primeira a chegar à porta!

 

A Iara estava muito contente e pulava de entusiasmo junto à porta!

 

A professora Sílvia dirigiu-me para cumprimentar o Sr. Alberto que esfregava as mãos de alegria por receber de novo no seu Museu aquele grupo de crianças que tanto lhe tinha ensinado na visita anterior!

 

- Bom dia meninos! Estou muito feliz por vos ver de novo! Prometido é devido e como tal, esperam-vos maravilhosas surpresas dentro deste Museu! Estão preparados para uma viagem 100% acessível na história da Arqueologia? – Gritou o Sr. Alberto visivelmente satisfeito!

 

- SIM!!! Gritaram todos os meninos em resposta!

 

Depressa todos entraram e em silêncio começaram a ouvir a explicação do Sr. Alberto.

 

- Sejam bem-vindos ao Museu de Arqueologia! A arqueologia pretende mostra-vos um quadro de vida de uma pequena comunidade de pessoas que viveu à muitos milhares de anos…através destes objetos podem descobrir por exemplo, como um simples vaso serviu para alguém cozinhar o seu alimento quotidiano... A arqueologia está ao serviço de uma história onde entram todos os seres humanos e através dela podemos conhecer como viviam e compreender a nossa própria evolução!

 

Atrás do Sr. Alberto, os meninos entraram nos corredores que davam para cada uma das salas de exposição do Museu, e todos puderam usufruir da visita…

 

A Inês de Cristal reparou nas úteis rampas que lhe davam acesso aos patamares superiores das salas, conseguiu chegar perto dos objetos cujas montras estavam agora mais baixas, observou cada uma e conseguiu também compreender peça a peça pois agora também as legendas estavam colocadas de forma a que qualquer pessoa podia lê-las sem esforço!

 

Com as letras um bocadinho maiores, até a Matilde conseguiu ler atentamente a história de cada objeto e no fim da visita já tinha decidido que também ela queria ser arqueóloga para um dia descobrir tesouros como os que tinha visto!

 

A Iara foi à casa de banho e quando entrou ficou muito satisfeita por reparar que as barras que tinha proposto já estavam colocadas, pelo que não precisava de se preocupar com a sua amiga Inês de Cristal.

 

- Ah…que giro! Também colocaram o estrado na parede para os bebés! Boa, assim já posso convidar a minha mãe e o meu irmão para visitar este magnífico Museu! – Pensou a Iara quando se apercebeu de que também nessa sugestão tinha sido ouvida!

 

- Olhem amigos…- indicou o José Pedro – a faixa guia com este cor-de-laranja está muito gira…assim sabemos sempre para onde ir!

- Ainda tenho outra surpresa para vocês – disse o Sr. Alberto ao mesmo tempo que entregava a cada menino e menina uns pequenos aparelhos com uns auscultadores – Chamam-se áudio-guias e servem para vos guiar neste Museu!

 

As gargalhadas e os comentários ouviam-se nos corredores do Museu de Arqueologia enquanto cada menino descobria este espaço agora 100% acessível!

 

O Sr. Alberto ficou muito contente por ter feito estas alterações no seu Museu pois só assim ele conseguiu garantir que todas as pessoas teriam agora oportunidade de o visitar e de desfrutar da sua esplêndida exposição!

 

Quando chegou a casa, a Inês de Cristal, apesar de muito cansada, contou tudo aos seus pais sobre aquele dia! Explicou-lhes que ficou muito contente por saber que agora, todas as pessoas especiais já podem visitar aquele espaço e quando se foi deitar, sonhou que era arqueóloga e que tinha descoberto maravilhosos tesouros que tinham sido deixados pelos seus antepassados…entre eles…estava um mapa que a conduzia até um fantástico Museu 100% acessível onde as peças descobertas por ela estavam expostas para que todas as pessoas as pudessem conhecer!  

 

 

Andreia Guerreiro

Junho 2012

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

publicado por Khayma às 15:30
Terça-feira, 01 / 11 / 11

Rufino lamacento!

 

O Rufino era um cão todo branquinho, muito inteligente e que desde pequenino adorava brincar na lama.

Todos os seus 9 irmãos estavam constantemente a gozar por Rufino estar sempre tão imundo, mas ele não queria saber, pois de cada vez que saltava para dentro de uma poça de lama ficava tão feliz que se esquecia das mil vezes que a mãe lhe pedia para não regressar à casota todo sujo.

 

O melhor amigo de Rufino era Arnaldo, um porquinho que estava sempre dentro de uma enorme poça para se refrescar pois a sua pele era muito sensível aos raios de sol quando estes se tornavam muito quentes e a lama protegia-o.

 

Aquela era a maior poça da quinta e por isso a mais especial, mas nem sempre o Rufino podia lá brincar pois era o local preferido dos porcos e quando eles lá estavam todos, não havia espaço para aquele pequeno cão traquina.

 

- Rufino! Não acredito…outra vez todo sujo! – Dizia a mãe quando o seu filhote lhe entrava casota dentro sujando tudo por onde passava.

 

- Olha…afastem-se! Lá vem o Rufino porquinho!!! – Gozavam os irmãos fugindo, com medo de se sujarem quando o cão meio acastanhado pela lama pretendia brincar com eles.

 

Mas será que nenhum dos seus irmãos compreendia o tão fabuloso que era saltar nas pocinhas?? – Pensava Rufino, quando triste, ouvia as críticas do Farrusco e da Pimpolha, os mais velhos da ninhada.

 

O Farrusco e a Pimpolha, eram iguais a Rufino: Branquinhos, com um maravilhoso pêlo luzidio, que faziam questão de manter limpo, pois achavam que só assim poderiam ser escolhidos por um dono simpático que os levasse para uma casa acolhedora e cheia de amor!

 

Certo dia, chegaram ao pé da casota dois meninos que desde algum tempo vinham observando aquela animada ninhada que não parava de correr, saltar, e brincar!

 

Rapidamente 9 cachorros se juntaram aos meninos e como sempre, Rufino, entretido que estava a chapinhar na lama, nem reparou no que se estava a passar!

 

Rufino…olha estão ali dois meninos, não vais lá ao pé deles? – Perguntou Arnaldo preocupado, pois sabia que o dono da quinta não tinha espaço para mais cães e que por isso, algum dia, este seu amigo tinha que arranjar um dono que o amasse e que compreendesse o quão distinto era o seu feitio!

 

O dono ideal para o Rufino seria aquele que o aceitasse tal como ele era…mesmo que um bocadinho sujo!

 

- Não…não vou lá Arnaldo!

-  De qualquer das maneiras, os meninos nem vão olhar para mim, eu estou todo sujo!

- Pelo menos é o que a minha mãe me diz… que sujo ninguém me vai querer!!  

 

Respondeu Rufino observando à distância os seus irmãos que felizes se mostravam aos dois meninos e os rodeavam com inúmeras gracinhas!

 

De facto, os dois rapazes estavam deliciados com aqueles 9 cachorrinhos e por eles levavam todos para casa!

 

Contudo, podiam escolher apenas um e foi a Farrusco que calhou o primeiro lar de acolhimento.

 

Quando viram que Farrusco se ia embora, todos os irmãos ficaram tristes pela partida, contudo, ao mesmo tempo estavam felizes pois sabiam que aqueles dois meninos iriam tratar bem do seu irmão mais velho!

 

Os dias foram-se sucedendo…e com eles foram aparecendo mais famílias que um a um, levaram os 9 irmãos de Rufino : a Pimpolha, o Popey, o Caramelo, o Pantufas, a Boneca, a Princesa, o Cucus, a Luna e a Popota.

 

Todos encontraram amigos que prometeram cuidar muito bem deles e por isso partiram muito felizes.

 

De longe e sem nunca se aproximar, Rufino ficava cada vez mais triste pela partida dos seus irmãos e ao mesmo tempo porque achava que nunca seria escolhido por nenhuma família.

 

Por sua vez, Arnaldo que ia ficando cada vez mais preocupado incentivava ao seu amigo:

 

- Rufino faz o que a tua mãe te diz e vai tomar banho! Não custa nada! Vais ver que até vais gostar! E assim que aparecer um menino ou uma menina, bonito e inteligente como tu és…se estiveres limpinho vais ver que te escolhem logo!

 

Rufino não queria estar limpinho.

 

O Rufino queria poder saltar livremente para dentro das poças, queria sentir a lama a secar no pêlo das suas orelhas tornando-as bem duras e estaladiças!

 

 Mas por que raio ninguém gostava de o ver assim? Ele até achava que ficava com um ar bem giro quando o seu focinho ficava castanho e o seu corpo às manchas!

 

O Rufino sabia que se fosse tomar banho teria que ficar dentro da casota para que não se voltasse a sujar! Por isso, preferia fugir a sete pés de cada vez que a mãe o chamava para tomar um banho!

 

Certo dia, Rufino reparou que o dono da quinta andava de um lado para o outro bem agitado! Que se passaria?

 

Depressa o cachorro compreendeu, quando viu um carro vermelho desconhecido chegar!

 

De lá de dentro saiu um rapazito muito bem arranjadinho e que tratou o dono da quinta por avô.

 

Era Sebastião, um menino de 8 anos, que morava muito longe dos seus avós e que raramente podia visitá-los!

 

Desta vez, o Sebastião vinha passar uma semana inteirinha na quinta e por isso trazia uma grande mala que a sua mãe lhe havia arranjado cheia de roupa, brinquedos e todas as mil coisas que uma mãe acha que o filho irá precisar durante as suas férias fora de casa!

 

Após o almoço, o avô levou Sebastião a ver a quinta e os seus animais! E quando se aproximaram de Rufino o avô advertiu o menino:

 

- Olha meu querido, este é um cachorro completamente diferente, é outro porco que aqui tenho! Anda sempre todo sujo. Já não sei o que lhe faça!!! Não pára de saltar para dentro das poças! Não te aproximes pois vais ficar sujo e a cheirar mal!

 

O menino seguiu caminho com o avô mas olhou para trás, pois não percebendo bem porquê, tinha gostado daquele olhar que se escondia por detrás de um focinho cheio de lama!

 

Rufino ficou infeliz, pois mais uma vez todos se tinham afastado de si!

 

Como o cachorro também gostou daquele menino, Rufino achou que estava na altura de mudar e por isso correu para o grande lago que havia perto da quinta e tomou um grande banho!

 

À medida que avançava para dentro de água, a lama escorria e deixava descobrir o maravilhoso pêlo branco que cobria o cachorrinho!

 

Quando Rufino chegou de novo à quinta os animais ficaram espantados pois desconheciam a beleza do cachorro!

 

- Uau! Rufino…mas afinal tu és o mais bonito de toda a ninhada! – Disseram todos em coro!

 

A mãe estava orgulhosa de Rufino e achava que a partir daquele dia o seu filhote iria ganhar juízo e deixar de saltar para dentro das poças de lama.

 

Como estava ela enganada!

 

Nesse instante, Sebastião saiu a correr de casa desejoso de brincar na quinta.

 

Rapidamente o menino chegou perto de Rufino que acabava de secar o seu pêlo húmido sacudindo-se freneticamente!

 

O cachorro nem se apercebeu da presença de Sebastião e na última sacudidela…

Splash! Molhou o menino!!!

 

Ups…agora é que ninguém iria querer saber dele!!!

 

Rufino ficou muito envergonhado e dirigiu-se ao menino para lhe lamber as mãos em sinal de pedido de desculpa!

 

Sebastião aceitou as desculpas de Rufino e abraçou-o para que ele compreendesse que não lhe tinha feito nada de mal! Pelo contrário!

 

Sebastião desatou a correr e chamou Rufino:

 

- Anda cãozinho! Anda…vamos correr !!!

 

Os dois desataram a correr e Rufino reparou que o menino se dirigia para a poça gigante dos porcos! Ele não conhecia a quinta e nem tinha reparado na quantidade de lama que a mesma tinha e isso era perigoso!

 

Rufino decidiu correr ainda mais depressa para saltar para dentro da poça e mostrar a Sebastião que não poderia correr para ali pois iria ficar todo sujo e os avós podiam não gostar!

 

Num grande salto, o lindíssimo cachorro branco caiu dentro daquela poça que tantas vezes o tinha deliciado e de lá saltou uma enorme quantidade de lama que salpicou todos aqueles que estavam à sua volta.

 

Sebastião parou, olhou para Rufino e desatou a rir! Ele achava que o cachorro estava muito engraçado e para surpresa de todos saltou também para dentro da poça!

 

Rufino ficou estupefacto e sem saber como reagir até que o menino o abraçou de novo feliz!

 

Rufino e Sebastião tinham encontrado algo em comum…algo especial…e algo bem sujo: ambos gostavam de chapinhar nas poças!

 

Os dois amigos estavam muito felizes e brincaram a semana inteira dentro das poças de lama que se encontravam espalhadas pela quinta e que Rufino fez questão de mostrar a Sebastião!

 

Os dias passaram depressa e quando chegou a hora de voltar para casa, Sebastião pediu aos pais e aos avós e decidiram então levar Rufino para junto do menino que estava mais feliz do que nunca com o seu novo amigo!

 

Desde aí, Rufino é um cão amado por toda a família.

 

Tornou-se bem comportado e limpinho…

 

Mas quando caem umas pingas de chuva e se formam poças ….

 

 

1 de Novembro de 2011

Andreia Guerreiro

publicado por Khayma às 17:46
Sábado, 11 / 06 / 11

A nova cadeira da Inês de Cristal!

Hoje o dia está nublado. O Sol esconde-se envergonhado por entre as nuvens, que teimam em não se querer ir embora, e talvez seja por isso que a Inês de Cristal não se sente muito bem, os seus frágeis ossos doem-lhe.

 

Enrolada nas mantas, a Inês está com alguma dificuldade em arranjar vontade e energia para se despachar para a escola. Depois de olhar várias vezes para a janela grande que está mesmo ao lado da cabeceira da sua cama e ouvir os ramos da árvore do seu jardim a serem ligeiramente sacudidos pelo Sr. Vento, a Inês lembra-se que hoje, a professora Sílvia prometeu que iriam fazer um trabalho novo!

 

 De repente, a menina ganha uma nova energia e chama a mãe para a ajudar a vestir!

  

- Mãe – disse a Inês com muito entusiasmo – hoje na escola vamos fazer um trabalho muito engraçado!

 

-Sério filha? E o que é que vão fazer? Sabes? - Perguntou a mãe com curiosidade.

 

Enquanto a mãe penteava os seus longos cabelos encaracolados e lhe fazia uma bonita trança, a Inês explicou-lhe que o trabalho iria consistir em cada um desenhar um colega de turma e depois apresentar o seu desenho ao resto da classe!

 

- E quem vais desenhar Inês? Acho que vais desenhar alguém de quem gostas muito – perguntou a mãe, quase que adivinhando a resposta!

 

- Mãe, estive  apensar e vou desenhar a Iara! Ela é a minha melhor amiga e por isso tinha que a escolher – respondeu a Inês de Cristal com um grande sorriso.

 

Depois de a mãe ajudar a Inês a vestir-se e a pentear-se, foi com muito carinho que lhe deu um grande abraço e com aquela força de super-mãe, levantou-a da cama e colocou-a na sua cadeira de rodas.

 

A Inês olhou para a sua cadeira de rodas e de repente ficou com a sensação que a sua amiga especial que a transportava para todo o lado estava diferente! Havia qualquer coisa naquela cadeira que já não reflectia a luz de outros tempos. Havia qualquer coisa que já não transmitia a alegria e a força desta cadeira.

 

- Mãe – disse a Inês algo pensativa enquanto olhava à volta da sua cadeira – não achas que a minha cadeira de rodas já está a ficar velhinha e gasta?

 

A mãe olhou com mais atenção para a cadeira e de facto, também lhe pareceu que esta estava a precisar de ser trocada.

Contudo,   neste momento, as despesas com os medicamentos e as consultas de que a Inês precisava constantemente, eram tão grandes, que os pais não tinham dinheiro para gastar na compra de uma nova amiga para a sua filha. Nesse instante, a mãe da Inês, angustiada e triste respondeu à menina.

 

- Minha querida, de facto, a tua amiga especial está a ficar muito gasta, foram muitas aventuras que as duas viveram juntas, mas a mãe e o pai agora não têm dinheiro suficiente para te comprar uma nova. Desculpa filha!

 

A Inês sentiu-se muito culpada e infeliz por ter feito aquela pergunta à mãe, pois sabia das dificuldades que os seus pais enfrentavam todos os dias para lhe poderem proporcionar uma vida mais confortável apesar da sua doença e rapidamente se apressou a dizer à mãe:

 

- Oh mãe! Não te preocupes, esta minha amiga está gasta mas ainda dá para muitas aventuras!

 

- Olha – disse a Inês acariciando a cadeira de rodas – vês...esta minha amiga ainda me vai levar a muitos sítios!

Com a conversa, as duas nem se aperceberam que o Sr. Tempo corria e estava prestes a desaparecer!

 

- Oh Inês, vamos embora! Ai...a escola está quase a começar! – A mãe apressou-se a colocar a Inês no carro e rapidamente chegaram  ao portão verde, onde a D. Filomena já as esperava impaciente.

 

- Inês, hoje já vieste um pouco atrasada! Fiquei preocupada...vá...vamos embora que os meninos acabaram de entrar na sala de aula – disse a D. Filomena enquanto gentilmente empurrava a cadeira de rodas da Inês até à sua sala.

 

De repente, um pequeno e teimoso parafuso saltou da velhinha cadeira e nesse momento, uma das rodas deixou de rolar livremente, o que levou a Inês a chorar, pois ficou preocupada com a sua amiga que a transportava e que era a única que a podia levar para todo o lado! O que iria ser da Inês sem a sua cadeira?

 

Calmamente, a D. Filomena apanhou o pequeno parafuso do chão e disse à Inês:

 

- Olha querida, calma, eu vou chamar o Sr. Manuel e ele arranja-te a cadeira num instante! Não te preocupes!

 

O Sr. Manuel era um funcionário auxiliar da escola muito especial. Este senhor de cabelo já grisalho, de sorriso afável e com uma pequena barriguinha, sabia fazer mil coisas diferentes, desde cuidar dos jardins, a arranjar qualquer coisa que estivesse avariada!

 

- Fica descansada pequena menina de cristal!...Vamos lá ver o que se passa com esta preciosidade que aqui tens! – Disse o Sr. Manuel, que num instante voltou a aparafusar o parafuso traquina e ainda aproveitou para colocar um bocadinho de óleo nas rodas, o que fez com que elas passassem a deslizar muito mais suavemente!

 

Finalmente, depois daquelas aventuras todas logo pela manhã, a Inês entrou na sala de aula e explicou o que se tinha passado, pedindo desculpa pelo seu atraso!

 

- Professora, sabe...a minha cadeira está velhinha e gasta e por isso, há pouco um parafuso saltou, e o Sr. Manuel teve que a arranjar. Mas olhe, ela agora anda ainda melhor, apesar de já não brilhar como brilhava antigamente – disse a Inês enquanto olhava de novo para a sua cadeira de rodas.

 

Ela continuava a achar que faltava algo que voltasse a fazer com que a sua amiga especial brilhasse como ela se recordava que um dia tinha brilhado…faltava-lhe a alegria de outros tempos!

 

A Iara, que entretanto já se encontrava sentada junto da sua secretária, não pôde deixar de reparar na forma como a Inês olhava para a sua cadeira e curiosa, apressou-se a perguntar:

 

- Oh Inês, tu já não gostas da tua cadeira de rodas? Ela já não serve?

 

- Iara, eu gosto, mas ela já não brilha como antes…está gasta! - Respondeu a Inês cabisbaixa.

 

- Mas porque é que os teus pais não te compram outra? – Voltou a Iara a insistir, numa tentativa de arranjar uma solução para o problema da sua amiga!

 

- Sabes, os meus pais não podem comprar outra porque custa muito dinheiro e eles não ganham assim tanto que chegue para uma nova cadeira! Por isso, fiquei um bocadinho triste! – Respondeu a Inês tapando a cara envergonhada com os seus maravilhosos e teimosos caracóis loiros que saltavam da trança e reflectiam a luz do sol de cada vez que os raios atravessavam as nuvens e entravam pela janela da sala de aula.

 

A Iara pôs-se a pensar. Mais uma vez, como poderia ela ajudar a sua amiga Inês de Cristal? Ela não gostava nada de a ver triste.

 

Nesse instante, teve uma ideia. Saiu do seu lugar sem a Inês se aperceber e falou baixinho com a professora Sílvia.

 

A Inês achou estranho estarem as duas a sussurrar e a rir, mas voltou a olhar para a janela e a divagar nos pensamentos sobre a sua cadeira.

 

Ao fim de algum tempo, a Iara voltou ao seu lugar, a professora Sílvia saiu da sala e da porta chamou a D. Filomena que por breves instantes tomou conta da turma. O que teria ido fazer a Professora?

 

Passados alguns minutos a Professora Sílvia regressou à sala e dirigiu-se à auxiliar.

 

- D. Filomena, já falei com os pais da Inês e estamos a preparar-lhe uma pequena surpresa, por isso peço-lhe por favor, que me traga aquelas tintas especiais! - Disse a professora muito baixinho ao ouvido da auxiliar que logo lhe esboçou um sorriso piscando um olho como que em sinal de cumplicidade.

 

Depressa a D. Filomena chegou com uma caixa de madeira enfeitada cheia de pequenas latinhas, cada uma de sua cor. Todas juntas, as latinhas pareciam um pequeno arco-íris brilhante e nesse instante a Professora Sílvia levantou-se da sua secretária e dirigiu-se à turma:

 

- Meninos...afinal decidi que hoje vamos fazer outro trabalho. Este é ainda mais especial! – Dizia a professora enquanto pegava na Inês ao colo e a sentava numa outra cadeira.

 

- Hoje, cada um de vocês vai ajudar a tornar a cadeira de rodas da Inês mais colorida, alegre e ainda mais especial! Agarrem nos pincéis e nas latinhas de tinta!

 

Rapidamente todos os meninos se levantaram das suas carteiras. Estavam muitos entusiasmados e a Iara foi a primeira a desenhar. No seu desenho, ela pintou duas meninas de mão dada a rir, debaixo de um grande sol.

 

- Vês Inês, estas meninas somos nós, felizes e amigas para sempre! – Disse a Iara com um grande sorriso para a sua amiga de cristal!

 

A Inês estava espantada e ao mesmo tempo, muito feliz por ver todos os meninos a colorir a sua cadeira de rodas!

 

- Inês, guardei aqui um espacinho especial para ti. Toma o pincel, pois agora vais terminar tu de embelezar a tua amiga especial! – disse a professora Sílvia, levando a cadeira de rodas para perto da Inês.

 

No centro das costas da cadeira, a Inês desenhou e depois pintou de vermelho e cor-de-rosa, um grande coração e por cima, com a  ajuda da sua professora, escreveu: Obrigado!

 

Aquele obrigado era para todos os meninos, para a professora Sílvia, para a D. Filomena e para o Sr. Manuel que, juntos, tinham voltado a fazer com que a sua cadeira de rodas brilhasse mais que nunca. Estava fantástica a sua cadeira!

 

A tinta já estava seca quando os pais da Inês de Cristal chegaram para a vir buscar à escola e quando viram a cadeira de rodas ficaram impressionados e bastante emocionados com o gesto de todos os amigos de escola da sua filha. Nessa altura perceberam que ali também existiam pessoas que gostavam muito da Inês e que estavam dispostas a fazer tudo para que ela se sentisse feliz!

 

Enquanto a Inês apresentava a sua nova amiga aos seus pais e lhes explicava cada um dos desenhos que os seus amigos tinham feito, a D. Filomena entrou na sala com um saco que entregou à menina.

 

- Oh... D. Filomena é uma nova almofada para a minha cadeira de rodas! – Exclamou a Inês muito entusiasmada com a oferta da auxiliar da escola.

 

Durante toda a tarde, as auxiliares da escola tinham-se unido e enquanto os meninos pintavam a cadeira,  tinham cozido uma nova almofada para a Inês colocar na sua cadeira. Esta almofada foi feita com muitos quadradinhos de pano pequenos que juntos formavam uma espécie de arco-íris muito alegre!

 

Para rematar a decoração, a Iara trouxe ainda uma lindíssima fita de cetim cor-de-rosa. Esta fita foi cortada em dois bocados e com cada um a Iara fez bonitos laços nos braços da cadeira. Estava perfeita!

 

O trabalho estava completo. A Inês de Cristal já tinha uma nova cadeira de rodas! E esta era uma cadeira de rodas ainda mais especial, pois possuía um bocadinho de cada um dos seus amigos de escola.

 

Já no carro e a caminho de casa, a Inês, que estava muito cansada, olhou para trás onde estava a sua cadeira e voltou a contemplá-la.

 

Depois, fechou os olhos e deixou-se dormir.

 

Até casa, a Inês sonhou com os seus colegas, com a Professora Sílvia, com a sua maravilhosa amiga Iara, com a D. Filomena, com o Sr. Manuel e claro...com a sua cadeira de rodas e teve a certeza que depois do dia de hoje, esta ainda a haveria de levar para muitas aventuras.

publicado por Khayma às 19:32
Quarta-feira, 18 / 11 / 09

A Inês de Cristal!

 

A Inês era uma menina com 6 anos e muito pequenina para a Idade que tinha!
Tinha nascido diferente dos outros meninos, os seus ossinhos eram muito frágeis e por isso esta linda menina de cabelos loiros e encaracolados tinha que se deslocar numa cadeira de rodas especial pois não podia correr, saltar ou brincar!
Contudo ela não deixava de ser feliz por isso!
Numa linda manhã de verão, a Inês acordou cheia de medo, pois era a primeira vez que ia à escola dos meninos grandes.
Até aí, esta menina tinha estado em casa com a mãe que a protegia e a ajudava em todas as coisas que a Inês tinha dificuldade em fazer.
O sol espreitava pelas frestas da janela e a mãe bateu-lhe à porta do quarto!
- “Bom dia querida! Estás preparada para o dia maravilhoso que hoje vais ter?”
A Inês escondeu-se debaixo das mantas! Fingiu que ainda estava a dormir porque estava assustada com o desafio que tinha pela frente.
A mãe puxou as mantas suavemente e como as mães adivinham sempre o que se passa com os filhos, ela sabia que algo estava a preocupar a sua querida filha!
- “O que se passa Inês? Queres contar-me?”
A Inês levantou a cabeça e de olhos bem abertos disse à mãe:
- “Mãezinha….tenho medo de ir para a escola, e se os meninos não gostarem de mim? E se me acontece alguma coisa? E se ninguém quiser brincar ou falar comigo por eu ser diferente?”
A mãe, com toda a paciência explicou-lhe que, tal como os outros meninos, a Inês iria enfrentar mais um desafio, o de ir para a Escola, e tal como ela, os outros meninos também ficavam assustados com o primeiro dia de aulas, mas que no caso particular dela iria passar, porque ela não era diferente mas sim especial!
A Inês, corajosa como sempre tinha sido, lá decidiu despachar-se, e, com a ajuda da mãe, vestiu um vestido muito bonito, cheio de flores que a avó lhe tinha comprado pelos anos, para que fosse estreado apenas naquele dia único!
No cabelo longo, que a mãe escovou calmamente, a Inês levava dois lindos ganchos da cor do vestido!
O pai, que entretanto tinha achado estranha a demora da filha em vir tomar o pequeno almoço, foi ao quarto da Inês!
- “Bons dias filha linda! Estás preparada para o grande dia que tens hoje pela frente?” – perguntou o pai com um grande sorriso e abraçando a sua pequenina.
O pai não dizia nada e tentava disfarçar o seu nervosismo, pois tal como a Inês, ele também tinha medo que alguma coisa ou alguém fizesse mal à sua filhota!
Num gesto de grande cumplicidade a Inês abraçou o pai com muita força, como se procura-se absorver a coragem daquele homem que ela tanto amava!
O pai pegou-a ao colo e rodopiou, fazendo Inês rir intensamente e com os seus braços muito fortes, ajudou-a a sentar-se na cadeira de rodas.
Afinal, o seu dia até estava a começar muito bem!
Depois de tomarem todos juntos o pequeno-almoço, os pais foram levar a Inês à escola!
Quando ia no carro, Inês imaginava os seus futuros colegas, a sua professora, a sua secretária, a sua escola…até que o carro parou em frente a um portão verde, por onde passavam muitos meninos e meninas a correr, felizes por irem para a escola.
Os pais, ajudaram Inês a sentar-se na sua cadeira especial, e ao contrário dos outros meninos, ela aproximou-se bem devagar daquele portão.
Quando finalmente entrou, Inês sentiu um arrepio…porque estavam todos a olhar para ela?  Será que não iam gostar dela?
- “Bom Dia …Bem vinda Inês…esta é a tua escola!”- disse uma senhora de cabelo grisalho, com um ar muito simpático e com uma bata verde escura.
- “ Eu sou a auxiliar da tua escola, chamo-me Filomena e vou estar sempre por perto!”
A Inês tinha ficado mais descansada! Finalmente tinha encontrado alguém que poderia ajudá-la caso precisa-se!
Os meninos foram entrando para a sala, aos poucos despediam-se dos pais que os acompanhavam. Alguns choravam, outros riam-se, ainda outros baixavam a cabeça e andavam com passos muito curtos, pois talvez assim demorassem mais tempo a entrar!
Quando a Inês decidiu entrar, algo a impediu!
“Paf!” – ouviu-se na porta!
Ops! Alguém se tinha esquecido que a Inês se deslocava numa cadeira de rodas e por isso não tinham construído uma passadeira para que ela pudesse entrar!
“ Oh não…agora como é que eu entro?” – perguntou a Inês aflita à D. Filomena que no imediato pediu ajuda ao seu pai.
“É fácil, nós transportamos-te! – prometo que amanhã, quando chegares, já teremos este pequeno grande problema resolvido! Eu tratarei de tudo, fica descansada!” – disse a D. Filomena aliviando a Inês.
Finalmente a Inês entrou para dentro da sala e de repente toda a gente estava novamente com os olhos postos nela!
“ Bom dia Inês, eu sou a tua professora, chamo-me Sílvia e estes são os teus novos colegas de turma. Meninos, digam bom dia à Inês”- pediu a professora!
De repente e quase num único som se ouviu :
“Bom dia Inês!”
A professora Sílvia ajudou a Inês a deslocar-se para a secretária que lhe estava destinada, empurrando suavemente a sua cadeira de rodas. Ao seu lado estava uma menina, cujas lágrimas corriam pela cara abaixo, e a Inês ficou preocupada.
A professora Sílvia, começou por se apresentar aos meninos da sala , e depois passou a explicar tudo aquilo que precisava que cada um compra-se para poderem desenvolver as actividades que ela tinha planeado fazer com a turma, distribuindo uns papeis que cada menino teria que entregar aos seus pais.
A menina de cabelo encaracolado que estava ao lado de Inês não parava de chorar, até que ela ganhou coragem e cheia de vergonha procurou:
“Porque choras? Olha…Eu sou a Inês!”
A menina levantou a cabeça, olhou para a Inês e respondeu-lhe:
“Tenho saudades dos meus pais! Não conheço ninguém e não quero estar aqui!”
A Inês ficou surpreendida, pois afinal não era só ela que estava com medo daquele dia, não era só ela que tinha saudades dos pais!
“Sabes, eu também tenho saudades dos meus pais, e eu também não conheço ninguém, mas a partir de agora já conheço…tu! Como te chamas?” – perguntou a Inês feliz porque tinha encontrado alguém que, tal como ela, também estava assustada!
“Chamo-me Iara, tenho 6 anos e moro mesmo em frente à escola!” – de repente um sorriso apareceu na face daquela menina e entretanto as lágrimas pararam de correr!
Depois da professora Silvia explicar tudo aos meninos, chegou a hora do intervalo e todos se dirigiram para o átrio da escola.
Ao chegarem à rua, e quando percebeu que Inês tinha que ser ajudada pela D. Filomena a descer o degrau com a cadeira de rodas, a Iara, que era uma menina muito curiosa perguntou-lhe:
“Inês porque não andas, nem corres como os outros meninos? Porque andas nessa cadeira com umas rodas tão grandes?”
“Sabes, eu nasci com ossos especiais, muito frágeis e que se podem partir ao mínimo descuido. Além disso, não tenho força nas pernas para correr e brincar como tu! A minha mãe diz que eu tenho ossos de cristal e que por isso tenho que ter muito cuidado!” – respondeu a Inês prontamente!
A Iara ficou a pensar naquilo que Inês lhe tinha respondido, ela era mesmo especial… ao mesmo tempo interrogou-se de como seria possível brincar com a sua nova amiga sem que ela pudesse sair da cadeira de rodas…
De repente teve uma ideia genial!
“Olha Inês, sabes cantar?”
A Inês estava mais uma vez surpreendida! Ela adorava cantar!
“Claro, adoro cantar, de que tipo de música gostas?”
Rapidamente as duas meninas encontraram uma música que ambas conheciam e assim que começaram a cantar, os outros meninos foram-se aproximando!
Mas que magníficas vozes tinham as duas, pareciam anjos!
Num piscar de olhos todos os meninos da escola estavam parados em frente às duas meninas a escutá-las com atenção!
Quando acabaram a música, a Inês e a Iara ouviram um bater de palmas ruidoso e entusiasta! Todos tinham estado a ouvir!
Os meninos e a professora deram os parabéns às duas meninas e pediram que cantassem mais músicas.
A tarde entretanto passou bem rápida, e quando suou o toque de saida, os pais da Inês já se encontravam preparados para a levarem para casa e ansiosos de saberem como tinha corrido o seu primeiro dia de escola!
“Filha, conta à mãe e ao pai como correu o teu primeiro dia de escola! Estamos muito curiosos!” – disse a mãe assim que fechou a porta do carro!
“Muito bem mãe, fiz uma amiga especial, chama-se Iara e gosta de cantar como eu! Além disso cantámos as duas no intervalo e todos os meninos nos deram os parabéns!! Também gostei muito da professora Silvia, é muito simpática!” – respondeu a Inês com um enorme sorriso!
O caminho até casa pareceu-lhe bastante longo, e cansada daquele dia especial, Inês fechou os olhos e lembrou-se de tudo o que tinha acontecido, esboçando um sorriso.
À noite a Inês sonhou com a escola, com os amigos, com a D. Filomena, com a professora Silvia e com a sua amiga especial, a Iara, que tal como ela também gostava de cantar!
 
Andreia Guerreiro
sinto-me: muito bem!
publicado por Khayma às 22:49
Sexta-feira, 16 / 11 / 07

O CARRO DOURADO!

 
Era uma vez um carro dourado que andava sempre a viajar.
O carro dourado adorava passear nas estradas cinzentas, de competir com o vento, mas o que ele mais gostava era de ver a paisagem sempre a mudar do verde dos prados, ao castanho dos campos…
O carro dourado era muito feliz, até que os anos foram passando e aos poucos foi perdendo a força!
Aos poucos os seus pneus e o seu motor foram-se cansando e desgastando, até que um dia, o carro dourado quis passear, mas não conseguiu!
Por muito esforço que fizesse, não conseguia sair do lugar onde os seus donos o tinham estacionado.
O carro dourado estava velhinho e permaneceu ali parado.
Os dias e os meses foram passando, e o carro dourado sentia-se muito triste porque não podia voltar a competir com o vento, já não podia ver as paisagens a mudar e por isso chorou!
O verão passou sem conseguir animar o carro dourado. O Outono e o Inverno apenas o tornaram mais triste!
Até que um dia chegou a amiga Primavera e com ela, pequenas flores começaram a nascer por debaixo do carro.
Como as flores, outros pequenos animais foram-se aproximando do carro dourado e aperceberam-se que o seu amigo não sorria e estava sempre a olhar trsitemente para o horizonte longínquo.
Uma joaninha mais estrovertida sentiu pena daquele carro que, apesar da sua cor dourada como o sol, não brilhava e decidiu perguntar-lhe…
-“ Carro dourado, porque estás tão triste?”
O carro dourado olhou para a pequena joaninha que tinha pousado no seu capo e respondeu-lhe:
- “Sabes joaninha, tal como tu, há muito muito tempo, eu viajava para todo o lado, competia com o amigo vento e adorava ver as paisagens sempre a mudar. Um dia o meu motor não aguentou mais e parou…estava velho e nunca mais saí daqui deste mesmo lugar!”
A joaninha levantou voo e começou a esvoaçar à volta do carro que a olhava desconfiado.
- “ Oh ! Carro, já reparas-te nas flores e nos pequenos animais que vivem debaixo de ti?” – Perguntou a joaninha.
- “ Sim, mas o que é certo é que eu já não posso andar, e por isso estou triste!” – respondeu o carro dourado de novo a chorar!
-“ É verdade que já não podes andar carro dourado, mas já te deste conta de que te tornas-te no abrigo dessas flores e desses animais que vivem e sobrevivem apenas porque estão debaixo de ti?” – disse a joaninha com um grande sorriso – “Tu agora és a única casa que eles têm?”
Naquele momento, o carro apercebeu-se de que afinal de contas, ele era muito importante para aqueles animais e para aquelas flores.
Desde esse dia, o velhinho carro dourado cuida de todos aqueles que o procuram em busca de abrigo e de um lugar que os proteja.
Desde esse dia, o velhinho carro dourado, apesar de já não poder viajar, sabe que a sua missão é proteger todos os seres e isso faz dele um carro dourado velhinho…mas muito feliz!
 
Andreia Guerreiro
publicado por Khayma às 10:31
Terça-feira, 13 / 11 / 07

O Caranguejo Encarnado que só andava para a frente!

 

 

Era uma vez um caranguejo encarnado e muito especial que só conseguia andar para a frente!
O caranguejo encarnado vivia numa praia de areia dourada e gostava muito do mar azul.
Contudo, o caranguejo não era feliz!
Todos os outros caranguejos andavam para os lados, menos ele!
Os amigos do caranguejo encarnado, gozavam com ele porque era diferente, e por isso, ele chorava dia e noite.
Uma noite, estava o caranguejo encarnado sozinho na praia olhando para a amiga Lua, até que uma alga verdinha e curiosa aproveitou a boleia do mar azul e quando chegou perto do caranguejo, perguntou-lhe:
- “ Caranguejo, porque estás tão sozinho aqui na praia? Queres companhia?
O caranguejo levantou os grandes olhos pretos surpreendido e explicou àquela alguinha verde e sorridente.
. - “Oh…sabes alga, eu estou sozinho porque todos os outros caranguejos andam de forma diferente da minha e por isso gozam comigo! Eu também gostaria de andar como eles, mas não consigo!” –  o caranguejo começou de novo a chorar.
A alga estava intrigada …um caranguejo que andava para a frente?
Realmente era muito esquisito, mas ela ficou com tanta pena do caranguejo encarnado que decidiu ajudá-lo, só não sabia bem era como!
Nessa noite, a alga verdinha despediu-se do amigo caranguejo disposta a encontrar uma solução para o seu problema.
Quando voltava para junto das outras algas, a alga verdinha, reparou num grande peixe que passava por ela. Era um peixe magnífico, com umas pequenas patinhas que ajudavam as barbatanas e que faziam com que ele parecesse dançar maravilhosamente enquanto flutuava…e isso deu-lhe uma ideia!
No dia seguinte, a alga verdinha esperou ansiosamente que o caranguejo encarnado regressasse para perto do mar azul!
Quando o caranguejo finalmente chegou, cabisbaixo e triste como sempre, a alga chamou-o!
- “Caranguejo, encontrei a solução para o teu problema!” – gritava a alga verdinha, enquanto o mar azul a levava para junto do seu amigo que levantou a cabeça curioso.
-“A partir de agora, vais dança meu amigo!” – disse a alga verdinha muito entusiasmada – “Vais andar para a frente e para trás ao som das ondas do mar azul! Vá experimenta!”
O caranguejo encarnado achou aquela ideia estapafúrdia, mas mesmo assim decidiu experimentar, respirou fundo e começou a ouvir o som que vinha das ondas…e aos poucos as suas patas e as suas tenazes começaram a mexer-se…para a frente e para trás!
O caranguejo entusiasmou-se e os seus movimentos tornaram-se cada vez mais coordenados. O caranguejo encarnado estava a dançar…e dançava majestosamente!
Os outros caranguejos, apercebendo-se do que se estava a passar na praia de areia dourada, foram-se aproximando, espantados com aqueles movimentos do caranguejo encarnado.
Quando as ondas do mar azul se calaram, uma grande salva de tenazes irrompeu no silêncio!
Eram os outros caranguejos que estavam maravilhados com a linda forma de dançar do caranguejo encarnado.
Nesse dia, o caranguejo encarnado sentiu-se muito feliz.
Afinal de contas, ser diferente tornava-o único e especial!
 
Andreia Guerreiro
publicado por Khayma às 14:51
Terça-feira, 13 / 11 / 07

A folha pequenina!

 

 

Era uma vez uma folhinha que queria saltar da árvore!
A folhinha era muito pequenina e por isso a mãe árvore não queria que ela se fosse embora.
Todos os dias, a folhinha pequenina olhava para as irmãs folhas que se transformavam, e pairando caíam para o chão à descoberta de um novo mundo!
Essas folhas, que já não eram verdes, estavam muito contentes porque finalmente podiam conhecer os animais que, do chão, tantas vezes olhavam para a árvore, que era muito alta, e conversavam com elas.
Aos poucos, as folhas que agora eram castanhas, desprendiam-se…davam um beijinho na mãe árvore e voando como uma pena …aproveitavam a boleia do Sr. Vento e desciam devagarinho até ao chão.
A folhinha pequenina olhava para as irmãs e ficava triste! Também ela queria pairar ao sabor do vento…também ela queria conhecer as amigas formigas que andavam sempre ocupadas a procurar comida!
A mãe arvore, apesar de ver a tristeza da folhinha, dizia-lhe:
-“ Minha querida, ainda és muito pequenina para te deixar ir embora, ainda tens que crescer!”
Os dias foram passando, e aos poucos, a folhinha ficava cada vez mais sozinha nos enormes ramos da mãe árvore...e cada vez mais triste!
Quando um dia o Sr. Vento soprava sobre a árvore, reparou que a folhinha pequenina estava diferente.
-“ Oh! Folhinha pequenina…estás maior! Estás…estás…” – dizia o Sr. Vento com grande sorriso.
A folhinha pequenina olhava espantada…mas o que se passava?
-“ Estás a ficar castanha!” – disse o Sr. Vento!
-“Verdade Sr. Vento? Estou a ficar castanha?”
A folhinha não conseguia parar de rir e de olhar para ela própria.
A mãe árvore sorriu, ao mesmo tempo que o seu coração ficou muito apertado.
Estava na hora!
- “Minha filha…” – disse a mãe árvore – “Está na hora de saíres dos meus braços. Está na hora de nos despedirmos!”
Nessa altura a folha pequenina, já não queria tanto assim ir-se embora…mas encheu-se de coragem, deu um grande e terno beijinho na mãe árvore e esperou que o Sr. Vento soprasse de novo.
A folha, que agora já não era pequenina, voltou para o pai Outono, e, ao sabor do sopro do vento, largou os braços da mãe árvore e pairou…balançando para a direita e para a esquerda como uma pena...
Há medida que caía para o chão, a folha, que agora era castanha, ia ficando cada vez mais cansada e cheia de sono!
Quando chegou ao chão, a folha, que já não era pequenina, tinha-se deixado dormir profundamente!
No mundo dos sonhos, a folhinha castanha soube que na Primavera estaria de novo nos braços da sua mãe árvore!
 
Andreia Guerreiro
Dedicada à minha princesa!
Novembro de 2007
 
publicado por Khayma às 12:31
Olá! Depois de ter passado muitas horas a tentar inventar histórias que mantivessem a minha princesa quieta por 5 minutos e que lhe explicassem alguns valores, decidi expô-las aqui, para que outros pais as possam utilizar para deliciar os seus pequenin

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