Era uma vez uma folhinha que queria saltar da árvore!
A folhinha era muito pequenina e por isso a mãe árvore não queria que ela se fosse embora.
Todos os dias, a folhinha pequenina olhava para as irmãs folhas que se transformavam, e pairando caíam para o chão à descoberta de um novo mundo!
Essas folhas, que já não eram verdes, estavam muito contentes porque finalmente podiam conhecer os animais que, do chão, tantas vezes olhavam para a árvore, que era muito alta, e conversavam com elas.
Aos poucos, as folhas que agora eram castanhas, desprendiam-se…davam um beijinho na mãe árvore e voando como uma pena …aproveitavam a boleia do Sr. Vento e desciam devagarinho até ao chão.
A folhinha pequenina olhava para as irmãs e ficava triste! Também ela queria pairar ao sabor do vento…também ela queria conhecer as amigas formigas que andavam sempre ocupadas a procurar comida!
A mãe arvore, apesar de ver a tristeza da folhinha, dizia-lhe:
-“ Minha querida, ainda és muito pequenina para te deixar ir embora, ainda tens que crescer!”
Os dias foram passando, e aos poucos, a folhinha ficava cada vez mais sozinha nos enormes ramos da mãe árvore...e cada vez mais triste!
Quando um dia o Sr. Vento soprava sobre a árvore, reparou que a folhinha pequenina estava diferente.
-“ Oh! Folhinha pequenina…estás maior! Estás…estás…” – dizia o Sr. Vento com grande sorriso.
A folhinha pequenina olhava espantada…mas o que se passava?
-“ Estás a ficar castanha!” – disse o Sr. Vento!
-“Verdade Sr. Vento? Estou a ficar castanha?”
A folhinha não conseguia parar de rir e de olhar para ela própria.
A mãe árvore sorriu, ao mesmo tempo que o seu coração ficou muito apertado.
Estava na hora!
- “Minha filha…” – disse a mãe árvore – “Está na hora de saíres dos meus braços. Está na hora de nos despedirmos!”
Nessa altura a folha pequenina, já não queria tanto assim ir-se embora…mas encheu-se de coragem, deu um grande e terno beijinho na mãe árvore e esperou que o Sr. Vento soprasse de novo.
A folha, que agora já não era pequenina, voltou para o pai Outono, e, ao sabor do sopro do vento, largou os braços da mãe árvore e pairou…balançando para a direita e para a esquerda como uma pena...
Há medida que caía para o chão, a folha, que agora era castanha, ia ficando cada vez mais cansada e cheia de sono!
Quando chegou ao chão, a folha, que já não era pequenina, tinha-se deixado dormir profundamente!
No mundo dos sonhos, a folhinha castanha soube que na Primavera estaria de novo nos braços da sua mãe árvore!
 
Andreia Guerreiro
Dedicada à minha princesa!
Novembro de 2007
 
publicado por Khayma às 12:31